Usavam ambas risco ao meio e o cabelo escorrido pelas costas. À noite vinham fumar à varanda. Falavam baixinho com vozes delicadas e cheiravam a incenso. Eu espreitava-lhes os vultos da minha janela. As conversas delas escorriam pelo tempo do parapeito, enroladas no fumo do tabaco e na música baladeira que saía de dentro do apartamento decerto tão diferente do dos meus pais. Também vinham à varanda nas manhãs de Domingo, e enquanto eu esticava as meias de croché pelo joelho, as meias de ir à missa, elas comiam panquecas saídas dos filmes americanos e bebiam café por canecas. Eu mirava-lhes as saias compridas pelos tornozelos e as alpercatas chinesas bordadas no peito do pé. E as baladas cantadas pelo homem de voz triste. As mesmas que o meu pai desligava com a indiferença politica, quando tocavam no rádio. Tens lume? Perguntou-me um dia uma delas, anos depois do tempo da varanda. A voz dela ainda pingava por entre as baladas do homem de voz triste. Tens lume? Baixei os olhos e senti uma das meias de croché a resvalar pela perna. Não. Não fumo. Nunca fumei.
Paquecas com molho de framboesa
Para as panquecas
1 e ¼ chávena de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento em pó
1 ovo
1 chávena de leite
1 saqueta de açúcar baunilhado ( aproximadamente 10g)
30g de manteiga derretida sem sal
Misture a farinha, o fermento e o açúcar. Bata o ovo com o leite e misture com a farinha e o açúcar. Junte a manteiga derretida. Aqueça uma frigideira anti-aderente e deite colheradas de massa. Deixe cozinhar em lume brando até que faça bolhas à superfície. Volte e deixe cozinhar 1-2 minutos.
Para o o molho
300g de framboesas congeladas
1/3 chávena de açúcar
1 colher de chá de raspa de limão
Leve as framboesas ao lume com o açúcar e o a raspa de limão. Deixe ferver durante 6 minutos (verifique se as framboesas se desfizeram todas). Coe o molho por um passador de rede para tirar as sementes. Sirva com as panquecas.
