quinta-feira, dezembro 13

Antónia


Sempre que a visitava, na casa de Alvalade, sob o pretexto de alguma efeméride de fim de semana, ela fazia-lhe farófias. O único doce que aprendi a fazer, foi uma portuguesa da Rodésia quem me ensinou no dia em que me debulhei em lágrimas por descobrir que o teu avô me traía. Cozinhava apenas com uma mão, com a outra segurava o cigarro. Ele ficava à porta da cozinha a ver-lhe os movimentos sem idade. Não me chames avó, que antes da tua mãe nascer eu já tinha nome. Servia as farófias num serviço chinês e pedia-lhe que não falasse nem dos mortos nem dos que em breve iriam morrer.  Que as conversas para velhos cheiram sempre a página de necrologia. Por isso faço as mesmas coisas que fazia aos vinte, aos trinta, que nós  só engelhamos por fora. Por dentro só  há dias seguintes, não há idades. Depois pedia-lhe que descessem a Avenida de Roma a pé, de braço dado. Hoje fico por aqui, não preciso da luz do rio porque não estou só.  Amanhã talvez vá até ao Chiado. Inclinava para trás a cabeça de cabelos brancos armados com laca, em direcção ao sol. Desta vida, a melhor memória que levo é a luz de  Lisboa.

Farófias com creme de laranja


Esta estória de ler e comer foram contadas para o desafio Convidei para Jantar, que nesta edição tem o tema "Cidades" e cuja anfitriã é a Marmita.  A cidade que convidei, foi a minha mãe adoptiva, cuja luz trago sempre comigo: Lisboa

(para 4)
4 claras
6 gemas
75g de açúcar em pó
100g de açucar granulado
7,5 dl de leite
Casca  e Sumo de 1/2  laranja
1 colher de chá de farinha de arroz
1 colher de chá de licor de laranja
2 paus de canela
Canela para polvilhar

Bata as claras com o açúcar em pó até obter um merengue bem firme.  Leve o leite ao lume, com  casca de laranja e a aquela até levantar fervura. Baixe o lume para muito brando, e com um doseador de gelado deite pequenas bolas de merengue. Deixe cozer 1 minuto e retire. Depois de esgotar o merengue, coe o leite. Bata as gemas com o açúcar e dissolva a farinha de arroz no sumo de laranja. Junte ao leite e leve ao lume até engrossar, tendo cuidado para não deixar ferver. Aromatize com o licor e deite sobre o merengue cozido. Sirva com canela em pó e raspa de laranja.

quinta-feira, dezembro 6

Estorieta


Gostaria de ter um nome de musa como Laura ou  Beatriz.  De ter lido mais do que duas páginas de James Joyce e de ter ouvido Schoenberg sem sofrimento. Era o que pensava, depois de pedir um café pingado,  quando se sentava no Martinho da Arcada a ver  o movimento no Terreiro do Paço, ou  às vezes a contemplar  o rio. Pensava também, como se pronunciaria o trema por cima do  O e  se não ficaria mais satisfeita com uma meia de leite.


Panna cota "Meia de Leite"
(para 4)




200ml de natas
400ml de leite
4 folhas de gelatina
120g de açucar
1 vagem de baunilha
200ml de café expresso + 2 folhas de gelatina
Chocolate preto ralado


Leve as natas, o leite, a vagem de baunilha raspada e o açúcar  num tachinho ao lume até levantar fervura. Retire do lume e deixe arrefecer um pouco. Dissolva as folhas de gelatina, previamente demolhadas, na mistura de natas e leite. Distribua por tacinha e leve ao frigorifico por umas horas

Dissolva as folhas de gelatina no café expresso quente  e deite por cima do panna cota ( verifique se este está firme). Leve de novo ao frio para prender a gelatina de café. Sirva com chocolate preto ralado.


terça-feira, dezembro 4

Teófilo


Cuspia no chão sempre que passava pelo padre da vila. Tirava a velha boina basca, pousava-a sobre o lado esquerdo do peito, aquele onde acreditava ter o coração, e cuspia. E ficava, hirto, de boina ao peito  e de olhos fixos no padre que atravessava a estrada. És doido, diziam abanando a cabeça. Não, respondia. Sou um homem de fé. E as mulheres de negro benziam-se. Ou beijavam a cruz, se a trouxessem ao peito. O que sabes tu de fé, homem? Tu que cospes aos homens de Deus? E ele guardava a boina no bolso das calças e lembrava-se.  Lembrava-se da tia, que sempre fora velha, e que acreditava que era a humidade da igreja que lhe causava a bronquite. Mas ainda assim, levantava-se cedo todos os Domingos para fazer a  canja com hortelã e leite creme para  o almoço, que Deus-nosso-senhor, tudo vê e tudo sabe, é maior que todas as maleitas. Que sabes tu de fé homem? Tu que dois dias depois de fazer nove anos, na missa de Domingo, cuspiste ao padre, quando te estendeu o cesto das oferendas? Ficara sentado de rosto e orelhas ardendo pela mão envergonhada da mãe, esperando que Ele viesse, Ele, que tudo via e sabia, teria de vir cheio de fúria divina. Mas não viera. O que sabes tu de fé, homem?  És doido, diziam na vila. E ele sorria e dizia baixinho: Tenho é fé. Que o sacana ainda um dia me aparece.

Deserto do Mundo, Março de 2011


Leite creme de laranja



 400ml de leite
200ml de natas
6 gemas
2 colheres de sopa de farinha de trigo
160g de açúcar
1 colher de sopa de licor de laranja
Casca de uma laranja


Leve o leite e as natas ao lume com a casca da laranja até levantar fervura. Retire do lume e deixe repousar uns 15 minutos. Bata as gemas com o açúcar, a farinha e o licor. Junte o leite leve ao lume até engrossar. 
Deite em recipientes baixos e deixe arrefecer completamente  Polvilhe com açúcar e queime com um maçarico ou ferro de queimar.

sexta-feira, novembro 30

Cem


Na véspera de fazer  cem anos pensou que só se arrependera de não ter feito duas coisas na vida: aprender a conduzir e falar francês. Durante décadas fora conduzida no carro azul do marido. De mãos plácidas sobre o colo e olhos fixos na imagem de S. Cristovão, pendurada no retrovisor. Benzia-se sempre antes do carro arrancar, mesmo que fosse só para ir até ao mercado.  Ou até à pastelaria onde iam aos sábados à tarde comer bolos e fingir que conversavam com os outros. As outras senhoras, que também não sabiam conduzir, pediam a especialidade da casa, profiteroles. Ela, como tropeçava nos “rs” arranhados, pedia sempre uma torrada. Na véspera de fazer cem anos, só se arrependeu disso.  Não se arrependeu de não ter tido outro homem que não o marido, nem de nunca ter viajado para além da Figueira da Foz, onde passavam o verões. Não se arrependeu de nunca ter votado ou de ter casado. Afinal, quem teria cuidado dela se não fossem o falecido marido e os filhos? Dos filhos talvez só tivesse tido um em vez de dois, que as dores de parto tinham custado muito. Na véspera de fazer cem anos  pediu que não lhe fizessem festa. Custava-lhe estar com pessoas de quem não se lembrava do nome. E as que se lembrava já tinham morrido.  Mas fizeram.  E pediu como prenda de anos um daqueles bolos que eram uma torre de profiteroles. E um livro do Albert Camus. A rapariga de cabelo curto, que insistia em ser sua neta, riu, que disparate, a avó nunca lê. Mas era um nome tão lindo, Camus, soprava-se na boca como um poema, e ela achou que ficava bonito na mesa de cabeceira. No dia em que fez cem anos compraram-lhe um bolo cheio de rosas de açúcar e mais um colar de pérolas de Palma de Maiorca.



Hoje, a confeitaria publica a sua 100ª  estória de ler e a sua 100ª estória de comer. Obrigada a todos que aqui vêm.



Profiteroles de chocolate com ganache de chocolate e laranja


Para os profiteroles:
200 ml de água
1 colher de chá de sal
20 g de açucar
60 g de manteiga sem sal
110g de farinha sem fermento
5 ovos médios
20 g de cacau

Para a ganache
200ml de natas
200g de chocolate de leite
2 colheres de chá de licor de laranja
Raspa de uma laranja

Pré-aqueça o forno a 180º. Leve a água, o sal, o açúcar e manteiga num tachinho ao lume até ferver e derreter a manteiga. Deite a farinha, misturada com o cacau de uma só vez e mexa energicamente até se soltar das paredes do tacho. Retire do lume e adicione os ovos batendo muito bem.
Deite a massa num saco de pasteleiro e fala pequenos montinhos num tabuleiro forrado com papel vegetal . Leve ao forno por 30 minutos.
Derreta o chocolate com as natas em banho maria, até obter um creme homogéneo.  Junte o licor e a raspa de laranja. Leve ao frio durante pelo menos 2 horas. Bata com batadeira até duplicar de volume. Recheie os profiteroles com este creme

Adaptado de Saveurs, nº 195 pag 39.


terça-feira, novembro 27

Do tempo das romãs


Ao fundo dos prédios havia um moinho de água e uma romãzeira.  Ficavam os dois para além do alcatrão das ruas, num baldio que fora um dia um quintal de roseiras. Ao fundo dos prédios havia o som do amola-tesouras e uma romãzeira. Havia manhãs que arrastavam o solstício de inverno  por entre as árvores despidas e as mulheres do mercado. Havia braçadas de azevinho e gilbardeira que cheiravam a canela de Dezembro.  Ao fundo dos prédios havia uma velha romãzeira, cujos frutos caídos tingiam um quintal que se forrara pelo tempo das daninhas. Havia uma infância entre dois tempos que esbatiam num único verbo. A harmónica do amola-tesouras passava na calçada, vem aí chuva, e ao fundo dos prédios caía mais uma romã.


Panquecas de canela e laranja com molho de romã


( 12 panquecas pequenas)

1 chávena de farinha
2 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de manteiga sem sal , derretida
2 ovos
¾ chávena de leite
Sumo e raspa de 1 laranja
1 colher de chá de canela
2 colheres de chá de fermento em pó
Pitada de sal fino
1 chávena de sumo de romã
¾ de chávena de açucar

Leve o sumo de romã, com algumas grainhas  e açúcar ao lume e deixe ferver em lume brando durante 15 minutos. Depois, coe o molho e reserve.
Misture a farinha, o fermento, o açúcar ,a canela, a raspa de laranja e o sal. Noutro recipiente bata os ovos, junte o leite, o sumo de laranja e a manteiga derretida. Misture os dois preparados. Aqueça uma frigideira anti-aderente e deite colheradas da massa. Quando a superfície da massa fizer bolhas, volte-as e deixe cozinhar mais uns minutos. Sirva as panquecas com o molho de romã.


segunda-feira, novembro 26

Ramdass



Depois do livro, o Pai Natal deixou de chegar vestido de vermelho. Deixou as barbas e as terras do Norte. E vinha, primeiro em forma de vulto, pelos telhados que os prédios do meu bairro não tinham. Depois, já perto da janela da mansarda que eu queria ter, esboçava um sorriso  branco, com a luz que só as pessoas do Sul conseguem ter. Depois do livro, o meu Pai Natal passou a chamar-se Ramdass, e cheirava ao oceano turquesa à beira do qual nasci. Já não importava que não nevasse,  porque era Natal de Monção. Trazia nas mãos palavras de dedos longos que plantavam estórias na minha cabeça. Ceava comigo, bebendo chá nas pequenas chávenas de porcelana das bonecas e tirava do saco, que nunca teve cor, janelas abertas para um mundo só meu. Depois do livro, o Natal celebrou-se no meu quarto sempre que eu me dava uma estória nova e aprendi a falar sem voz. Hoje é noite de cear estórias, Ramdass. E trinta anos depois do livro, ainda é Natal.

Estórias de ler e comer, do Encontro ao Serão no Bichinho do Conto, ontem.




Queques de Bolo Inglês



(para 36 queques)

200g de manteiga sem sal
200g de açucar amarelo
375g de farinha sem fermento
50g de Maizena
5 ovos
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de cremor tártaro
100ml de brandy
100g de sultanas
200g de cerejas em calda ou cristalisadas
200g de amêndoa laminada
150g de alperces secos
2 cravinhos
1 colher de café de sal
raspa e sumo de uma laranja
500g de de maçapão
Cerejas para decorar
Doce de alperce q.b.


Com 6 a 8 horas de antecedência, deixe as passas a ensopar no brandy. Cubra com película aderente. Pique as cerejas e os alperces. Aqueça o forno a 180º. Bata a manteiga com o açucar até obter um creme. Junte os ovos 1 a , batendo bem. Junte a raspa, o sumo da laranja  e cravinho previamente moido no almofariz e bata. Junte as passas e o brandy e depois as restantes frutas. Misture as farinhas, com o sal e o cremor tártaro e envolva cuidadosamente. Coloque caixinhas de papel em formas de queques e encha 2/3 de cada com a massa. Leve ao forno por cerca de 15 minutos.
Estenda o massapão até a ficar com menos de 0,5 cm de espessura e corte rodelas do tamanho dos queques. Depois de totalmente arrefecidos, pincele o topo de cada um com doce de alperce, coloque por cima uma rodela de massapão e decore com as cerejas em calda.

sábado, novembro 24

Encontro ao Serão

Hoje, no Bichinho do Conto.


Vamos falar de cozinha, leitura e outros afectos. Num serão, aconchegado por chá e coisas doces.
Mais detalhes aqui



quinta-feira, novembro 22

Gaia



Quando o Outono chegou lembraram-se do calor de lá.  A janela da sala, que dava para um lugar de frutas  cuja dona  usava soquetes por cima dos collants de lã, tinha sempre os cortinados abertos de par em par. Para que a frágil luz do Outono do Norte não se coasse nos tecidos pesados.  A cidade é velha e estreita, lamentava-se o filho do meio com os olhos húmidos de  saudade. E só há brancos. São todos brancos.  A tua irmã e o marido vêm cá jantar hoje.  O homem de cabelos embranquecidos pelo retorno, não respondeu, continuando a curvar os ombros à melancolia e falta de dinheiro.  A filha mais velha, que deixara de esticar o cabelo, porque cá não é preciso, disse, vou comprar tabaco. Não te demores, que os teus tios estão a chegar. A mulher pousou  uma das mãos gretadas pela novidade do tanque num dos ombros curvados. Não chores, homem. Era um choro envergonhado no silêncio da penumbra. Não chores, homem, que a tua irmã está a chegar. Comprei um ananás para a sobremesa. Lembras-te das sacas que comprávamos a caminho do Bilene? O  homem tirou o lenço do bolso casaco e limpou os olhos. Lá fora a chuva morrinha acinzentava os vidros.  Lembras-te? Mas este, de cá,  é muito azedo, tive de lhe deitar açúcar.

Doce de ananás com baunilha e lima



1kg de ananás maduro, descascado e sem o centro
500g – 600 g de açúcar, dependendo da acidez do ananás
Sumo e raspa de 1 lima
1 vagem de baunilha

Corte o ananás aos pedaços, regue-o com o sumo da lima e cubra-o com açucar. Leve ao frigorifico durante, pelo menos 6 horas para macerar. Depois deite a mistura num tacho, junte as  sementes da baunilha, e a restante vagem e a raspa da lima. Depois de levantar fervura, deitxe em lume brando por 50 minutos. Triture tudo, até obter um creme homogéneo e depois deixe ferver em lume brando por mais 10 minutos. Deite em frascos esterilizados.

terça-feira, novembro 20

Retrosaria



Comprava-me um bolo de arroz numa pastelaria que vendia os bolos grandes e retorcidos. Depois dobrávamos a esquina e entravámos numa loja onde as mulheres envelheciam à porta.  Fica cá fora para não deixares cair migalhas, dizia-me. Eu ficava encostada à soleira da porta, ao lado dos carrinhos de lona que cheiravam  a praça. Lá dentro, na penumbra forçada pela montra minúscula onde se exibiam batas e aventais, havia uma explosão de cores. As paredes eram  forradas com gavetinhas que tinham botões colados do lado de fora. Contadores gigantescos cheios de madrepérola e massa de quatro furos.  Atrás do balcão de madeira havia um expositor cheio de carrinhos de linha, ordenados como a minha caixa de lápis de cor. De que cor é  o anil, mãe?  Queria um carrinho de linhas verde garrafa . A dona, que era uma mulher de cabelo curto e crespo, aviava as mulheres sem rosto, cortando tecido barato com os dentes. O marido, sempre atrás do balcão,  fazia embrulhos com papel pardo, que na altura do natal era  branco com umas folhas de azevinho azuis. O filho mais velho andava a estudar para médico, um orgulho, dizia.   Queria um carrinho de linhas verde garrafa, repetiu a minha mãe. A dona fez um sinal ao marido. Ele sorriu contrariado e levantou a tampa de madeira do balcão. Entre, dona. E tire o carrinho, que eu não distingo as cores. O meu filho diz que sou daltónico.

Bolo de arroz




150 g de açucar
150 de farinha de trigo
75g de farinha de arroz
75 g de manteiga
2 colheres de chá de fermento em pós
3 ovos + leite ( perfazendo 250 ml)
1 colher de chá de extracto de baunilha
Raspa de limão q.b
Açúcar q.b

Bate-se o açúcar com a manteiga mole e o fermento até obter um creme de manteiga suave.
Junta-se os ovos e o leite e bate-se bem. Junta-se a raspa do limão e a baunilha.
Por fim, juntam-se as farinhas e envolvem-se até obter uma massa uniforme.
Leva-se, numa forma de bolo inglês, ao forno pré-aquecido,  polvilhado com açúcar para criar a crosta, a 200ºC por 5 minutos e a 180ºC até cozerem.

Receita do Sabores da Alma


sexta-feira, novembro 16

Sem título

Sabemos sempre. Uma espécie de saber em circulo, que volta a origem em traços espessados pela memória. Sabemos sempre, ainda que nos ajustemos, fingindo que não é bem assim, porque é suposto ser de outra forma. 
E nestas manhãs de recomeço, que podem ser frescas, como mais ou menos luz, o tempo confronta-nos. Que sempre soubemos. Que o caminho ia ser por aí.

( A escolha da receita hoje, é só porque sim)

Mini tartes de Nutella


(16 tartes de 8 cm de diâmetro)

350g de Nutella
5 ovos inteiros

Batas os ovos durante 15 minutos até ficar um creme espumoso e espesso. Derreta o Nutella no microondas durante 10segundos e misture cuidadosamente. Leve ao forno pré-aquecido a 150º durante cerca de 20-25minutos, em forminhas untadas e ligeiramente polvilhadas com farinha.

Receita adaptada de um blogue fabuloso. Aqui