segunda-feira, setembro 30

Aguaceiro


Hoje não trago uma história de letras. Nada que se conte em seis, dez ou vinte linhas. Só uma cesta de pêras madura esquecida num canto da cozinha. Só uma vontade de emudecer as mãos, porque os dias de chuva são assim, voltados para dentro.

Mousse de pêra William



4 pêras William bem maduras
2 colheres de sopa de açúcar
250 g de queijo creme
3 claras em castelo + 3 colheres de sopa de açúcar
Sumo de meio limão
3 folhas de gelatina

Descasque as pêras e corte-as em cubos. Leve-as num tachinho a lume brando, juntamente com  o açúcar e o sumo do limão até estarem bem cozidas. Depois passe-as pela varinha mágica até obter um puré bem fino.
Leve as folhas de gelatina, previamente demolhadas em água fria, durante 15 segundo ao microondas juntamente com 2 colheres de sopa de água. Junte esta mistura ao puré de pêra e deixe arrefecer um pouco.  Depois junte o queijo creme.
Bata as claras com o açúcar até obter um merengue espeço e envolva-o com a mistura anterior. Leve ao frio durante 2 a 3 horas.


domingo, setembro 22

Equinócio


Setembro tem um tempo oblíquo e liquefeito. Dizem que se encurtam os dias. Talvez só se encurtem as janelas, aquelas que cerramos só por hábito, que o medo é um deles.  Setembro cheira a maçãs, a colheitas tardias, dizem, a mim ficam-me nas mãos os aromas dos retalhos,essas memórias que se desfiam e alinhavam com as vozes dos tempos quentes. E depois esperamos, esperamos sempre, os dias de inverno, que por serem noites longas, aprendemos a temer


Maçãs com merengue ( para 4)



4 maçãs reinetas
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de brandy
3 claras
6 colheres de sopa de açúcar
Gotas de sumo de limão

Descasque e descaroce as maçãs. Corte-as em cubos. Leve a manteiga com o açucar ao lume até caramelizar ligeiramente. Junte a maçã e regue com o brandy. Deixe cozinhar até as maçãs ficarem amolecidas.
Bata as claras em castelo e junte  as 6 colheres de sopa de açúcar e as gotas de sumo de limão. Bata até obter um merengue bem firme.
Deite maçã em taças que possam ir ao forno e cubra com o merengue. Leve a forno pré-aquecido a  150º durante cerca de 30 minutos.



quinta-feira, setembro 19

Escrever o Outono


Em forma de história, que também pode ser um poema ou apenas um olhar cheio páginas em branco.

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quarta-feira, setembro 11

Tipo Inglês

Todos pensavam saber o porquê da promessa. Se é um santo António em tamanho de gente é porque procura alguma coisa que perdeu ou que ainda não achou. Noiva não seria, porque passara há muito a idade casar, só se fosse um caso de amor serôdio. Talvez dinheiro, que é coisa que todos procuram. Não, diziam as velhas da igreja, devia ser a cura para alguma doença dos pulmões, que desde criança tivera um ar enfezado, e não há melhor achado que uma saúde da boa.  Os homens da tasca, esses criam que fora um animal perdido da fazenda, talvez um boi ou um cavalo velho. Fosse o que fosse, José Inácio, depois de largar as broas na igreja, fechava-se no seu quarto onde mandara pôr uma salamandra, na esperança que a lenha de oliveira lhe aliviasse a dor nos ossos que o consumia desde criança. Abria a janela que dava para lá fora, ficava dois ou três instantes a suspirar pela canja que a mãe lhe fazia quando com as dores não se conseguia levantar da cama e depois retomava a sua empreitada. Mas para que queres tu um santo desse tamanho, José Inácio? E o Santo a crescer com o Menino ao colo. Não há promessa, para Deus Nosso Senhor, que tenha de durar tanto,  José Inácio. E ele a lembrar-se dos sapatos de atacador que perdera, aqueles que a mãe lhe oferecera quando o começara a ensinar a dançar. Não lhe bastara perder a mãe e tivera também que perder os sapatos. Mas faltava pouco, só os caracóis do menino e depois o responso dito baixinho, para os encontrar. É doença nos pulmões, com certeza, repetiam as velhas, e ele a ver-se a fazer bonito nas festas de Junho, a encontrar os passos todos certinhos enfiados nos seus sapatos de atacador, picotados no peito do pé.

Texto integrante da exposição Bolota 1/4 adiante.

quarta-feira, setembro 4

Dois anos


É sabido que o tempo passa depressa. Um impermanência da qual guardamos apenas retalhos a que chamamos memórias.
As memórias destes dois anos de porta aberta,  tenho-as alinhavado numa longa manta de retalhos a que chamo estórias de ler e comer. Que só ficam completas com os vosso olhar. Olhos de ver.
O meu obrigada por estes dois anos.  Bem hajam.


Brownies para quem gosta realmente de chocolate



475g de chocolate em barra
300g de açúcar
250 g de manteiga sem sal
25 g de cacau em pó
5 ovos
150 g de farinha
2 colheres de chá de essência de baunilha
pitada de sal fino

Derreta o chocolate com a manteiga em banho maria. Reserve. Bata os ovos com o açúcar. Junte o cacau, o sal e a baunilha a esta mistura. Junte o chocolate derretido. Envolva a farinha cuidadosamente. Leve a forno pré-aquecido a 180º durante 30 minutos, num tabuleiro quadrado forrado com papel vegetal

sugestão: sirva com framboesas.