Sempre que chovia esperava pela enxurrada. Pelo barulho ensurdecedor
da água no chão. Lá ao fundo, num fundo perto da janela, havia o mar. Aqui a cidade era velha e cinzenta-quase-branca. Sem as avenidas largas dos seus
doze anos. Depois da chuva, o cheiro forte da terra molhada. Aqui só pedra
molhada, que a pedra não tem cheiro por ser cinzenta. O cinzento sim, é a
ausência de tudo. Que olhas tu pela janela? Olho o mar, o mar que ficou do outro
lado. Os rapazes galgando as ondas nas
pressões de ar e o cheiro, o cheiro que nunca vem depois daquela chuva
morrinha. Aqui o tempo não chove, aqui o tempo chora, como se lhe doesse a
falta de espaço e de cor. Que olhas tu pela janela? As mãos no vidro a quererem
aumentar as gotas minúsculas presas ao vidro do tempo. O barulho é imenso mas
dura metade do tempo de uma manga comida debaixo do alpendre. O sumo doce pinga
da boca e o aroma mistura-se com o da terra molhada. Que olhas tu pela janela?
Nada, não olho nada. Que o cinzento é nada.
Tarte tatin de Manga
2 mangas
1 embalagem de massa folhada
60g de manteiga
120g de açucar
Raspa de 1 lima
2 colheres de sopa de coco levemente tostado
Descasque as mangas e corte-as em pedaços. Derreta a manteiga
com o açúcar, numa frigideira que possa ir ao forno, até caramelizar ligeiramente. Junte a manga e a raspas de lime e
deixe caramelizar. Deixe arrefecer um pouco e coloque a massa folhada por
cima. Leve a forno pré-aquecido a 180º . retire quando a massa estiver folhada.
Desenforme de imediato e polvilhe com o coco ralado.