segunda-feira, setembro 24

Otoño Porteño



Soube que iria morrer na primeira terça- feira de Outubro, enquanto molhava  o pão no café com leite.  Ficou-lhe a seguir ao aperto do peito uma impressão na garganta. Abriu o colarinho  e pensou que depois de passar na farmácia para comprar aspirinas, teria de comprar uns sapatos de verniz. E aprender a dançar. Comprou uns sapatos um número acima, que dizem que o corpo alarga depois de morto e um livro de danças de salão. Com um bocado de giz branco desenhou as marcas dos pés no cimento do logradouro. Limpou o pó das ripas de madeira de um velho rádio gira-discos que tirara do contentor mesmo antes de passar o carro do lixo e pôs um dos discos que uma vizinha lhe dera. Uma mulher com rosto de criança, que vivera muitos anos em Buenos Aires. Pintava os olhos de azul e não assentava os calcanhares no chão. Dera-lhe um disco e um bolo de chocolate e caramelo no dia em que ele  escolhera para fazer anos. Chamava-lhe Nonino. Calçou os sapatos de verniz , colocou a agulha no disco, e pisou as pegadas mal desenhadas no chão. Uma vez, e um gato veio até ao parapeito do terceiro andar. Duas vezes e veio atrás a dona do gato. Três vezes e talvez se tenha aberto outra janela. E o aperto no peito. Adios Nonino, dizia ela antes de lhe beijar a testa. O giz comido pelos pés que se agilizavam com o ritmo.  Pareceu-lhe que as folhas amareleciam ao quarto tempo da música. Uma das mãos sobre o peito, a outra esquecida no fim do braço esticado.  E à terceira dor no peito, ao mesmo tempo do acordeão, pensou ver as folhas amarelas taparem o cimento do chão. Dizem, as mulheres que o vestiram para o enterro, que os sapatos de verniz não lhe saíram dos pés.

Cheesecake de chocolate com molho de caramelo



200 g de bolachas de chocolate
50 g de manteiga derretida
400g de queijo creme
200 ml de natas
200g de chocolate
5 folhas de gelatina
100g de açúcar
3 claras
1 colher de chá de baunilha

Triture as bolachas com a manteiga e deite a mistura no fundo de uma forma de aro. Calque bem. Demolhe as folhas de gelatina. Bata o queijo creme  com o açúcar e baunilha. Derreta o  chocolate com as natas. Escorra as folhas de gelatina e leve-as as ao microondas  por 10 minutos. Junte à mistura de chocolate e natas ainda quente depois misture bem com o queijo creme. Bata as claras em castelo e junte à mistura anterior e leve ao frio durante pelo menos 6 horas.
Para o caramelo
200g de açúcar
100ml de água
50g de manteiga
200ml de natas
Leve ao lume num tachinho o açúcar, água e a manteiga e deixe fazer ponto de caramelo. Retire do lume e junte as natas. Leve novamente a lume muito brando durante 5 minutos.
Desenforme o cheesecake e sirva com o molho de caramelo.


8 comentários:

Isadora disse...

que crônica maravilhosa!!! tocante!!

e esta cheesecake está simplesmente divina!

Nizz disse...

Adorei esta receita, ficou a vontade de a experimentar em breve!
Quanto ao texto, deixou-me um aperto no coração, como que se também molhasse o pão no café com leite, mas é de leitura agradável, como sempre :)
Beijinhos,
Inês

Luis Eme disse...

o bolo parece uma obra de arte.

o texto um conto delicioso.

beijinhos Cristina

Ana Marques Pereira disse...

Belo texto, bem acompanhado pela doçura do bolo.

Blondewithaphd disse...

e depois até fazem decorações de caramelo!! Isto faz mal uma pessoa vir aqui:)

Gisela disse...

Lindo, lindo, lindo, é só o que tenho a dizer!
Um beijinho

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Fez-me recordar a minha Buenos Aires e o delicioso dulce de leche!

Tupperware Lisboa disse...

tenho mm de experimentar..:)