Naquela rua, de casas todas iguais, havia uma confeitaria.
De manhã, as mulheres depois de
estenderem as colchas de tricot por entre os vasos de sardinheiras, deixavam-se
estar, debruçadas sobre o parapeito, esperando o abrir das portas. O homem
vinha, abria as portas de vidro cinzelado, prendia-as com dois blocos de
calçada e dizia bom dia para o vazio da rua. O cheiro pastoso do chocolate varria a calçada deixando-a brilhante e
escorregadia. Havia quem dissesse que eram os plátanos quem a deixavam assim,
mas essas eram as velhas de antes da confeitaria. Depois, as horas da manhã
mediam-se nos cartuchos de papel , cheios de chocolates, que saiam da loja pelas mãos das mulheres. Só a recém chegada, a
que morava no ultimo andar do prédio vazio, nunca lá entrava. As mulheres
recolhiam as colchas mornas pelo o sol e comentavam. É estranha. A recém chegada, que ninguém sabia o nome, parava
dois instantes em frente da porta de vidro cinzelado. Com um dedo fazia um
gesto de náusea pelo cheiro morno do chocolate e as outras, recolhiam para
dentro de casa. É estranha. Um dia o homem veio à porta e deu-lhe os bons dias.
Todas se debruçaram sobre os parapeitos, de sobrolho franzido. Estendeu-lhe um
cartucho de chocolates. Ela olhou-o com a limpidez cor de mel de uns olhos que
nunca ninguém vira. E roçando-lhe o ouvido com tepidez da confissão, disse-lhe:
Só gosto de caramelos.
Mousse de Caramelo
200 g de açúcar + 2 colheres de sopa
100ml de água
200ml de natas
4 ovos
4 folhas de gelatina
1 pitada de sal
1 colher de chá de baunilha
Ponha as folhas de gelatina de molho em água fria. Leve o açúcar
com a água ao lume até fazer ponto de caramelo ( que de ser forte sem queimar).
Retire do lume e junte as natas. Leve de novo a lume brando durante 5 minutos. Retire do lume, deixe arrefecer um pouco e
junte as gemas batidas, a gelatina, o
sal e a baunilha. Bata as claras em castelo bem firme com o açúcar e adicione
cuidadosamente. Leve ao frio durante umas horas.
